A imagem das pessoas nos caiaques apresenta uma reflexão.
A resposta para essa pergunta vai muito além de “quanto mais gente, melhor”.
Na verdade, a produtividade de uma equipe depende mais do equilíbrio entre pessoas, processos e dados do que apenas da quantidade de profissionais envolvidos.
A teoria econômica da produção marginal nos ajuda a entender esse fenômeno: ela nos mostra que, ao adicionar uma nova unidade de trabalho (como mais um colaborador) em um processo produtivo com recursos fixos, haverá inicialmente um aumento na produtividade. Contudo, tem um conceito central ligado à produtividade marginal, que é a Lei dos Rendimentos Marginais Decrescentes. Essa lei afirma que, a partir de um certo ponto, à medida que se adicionam unidades sucessivas de um fator de produção variável (mantendo os outros fatores fixos), o aumento adicional na produção total se tornará progressivamente menor.
Assim, a partir de um certo ponto, cada nova adição tende a contribuir menos para o resultado total, podendo até gerar ineficiências, como sobreposição de tarefas, comunicação confusa e perda de foco. Ou seja, mais pessoas nem sempre significam mais resultado — e, muitas vezes, menos é mais, especialmente quando os processos estão bem definidos.
💡 Assim, o ponto chave está em buscar o tamanho certo da equipe, aquele que maximiza o desempenho sem comprometer a organização.
É nesse ponto que a gestão por processos assume um papel central. Quando os processos estão mapeados, estruturados e com indicadores claros, é possível identificar gargalos reais, oportunidades de automação, redistribuição de tarefas e, inclusive, reconfiguração estratégica de setores. Situações em que há perda de pessoas, por exemplo, podem ser o gatilho para ajustes organizacionais que resultam em ganhos de produtividade – algo que só acontece em ambientes com visão sistêmica e maturidade em gestão.
👥 A discussão sobre o número de profissionais nos setores sempre gera tensão com a alta gestão. Mas fica a provocação: os líderes estão munidos de evidências para sustentar suas demandas? Ou estão apenas repetindo percepções subjetivas que surgem de falta de análises mais estruturadas em evidência?
📊 Para tratar esse tema com seriedade, é fundamental que a argumentação esteja amparada em dados concretos:
– Quantidade de processos recebidos;
– Número de processos trabalhados;
– Processos efetivamente concluídos; e
– Demanda reprimida.
Essas métricas, associadas a indicadores de tempo médio de execução, retrabalho e backlog, dão clareza à gestão e fortalecem o diálogo institucional. Reivindicar mais pessoas sem uma base analítica sólida pode enfraquecer o pedido. Por outro lado, dados bem apresentados transformam a gestão da força de trabalho em uma decisão estratégica, não apenas pela subjetividade da visão operacional.
